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Império Romano do Ocidente

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Império Romano do Ocidente
O Império Romano do Ocidente constituía a metade Ocidental do Império Romano após a sua divisão por Diocleciano em 286 d.C. e existiria intermitentemente em diversos períodos entre os séculos III e V, após a Tetrarquia de Diocleciano e as reunificações associadas a Constantino o Grande e seus sucessores. Considera-se que o Império Romano do Ocidente terminou com a abdicação de Rômulo Augusto em 4 de setembro de 476, forçada pelo chefe germânico Odoacro. Sua contraparte, o Império Romano do Oriente, sobreviveria por mais 1.000 anos.

Embora unido lingüisticamente - e, mais tarde, sob o cristianismo romano -, o Império Romano do Ocidente englobava, na verdade, grande número de culturas diferentes que haviam sido assimiladas de maneira incompleta pelos romanos, diferentemente do Império Romano do Oriente, que falava o grego e era culturalmente unificado desde as conquistas de Alexandre o Grande no século IV a.C.

Portanto, o Império Romano de fato era dividido em termos culturais, religiosos e lingüísticos. Se o Oriente helenístico sustentava-se em torno da cultura grega e da Igreja Ortodoxa, a unidade cultural do Ocidente foi gravemente afetada pelo influxo dos bárbaros. Em 410Roma foi saqueada pela primeira vez em mais de 800 anos, pelos visigodos comandados por Alarico I, e aos poucos a parte Ocidental do império passou a ser governada pelas tribos invasoras. Apesar de breves períodos de reconquista pelo Império Romano do Oriente, o Império do Ocidente não conseguiria reerguer-se.

Antecedentes
Enquanto a República romana expandia-se, ela naturalmente alcançou um ponto em que o governo central em Roma não podia esperar um controle efetivo sobre suas províncias mais distantes. Isso ocorria devido à demora nas comunicações e aos métodos de transporte relativamente lentos da época. As notícias sobre uma invasão inimiga, uma revolta, a eclosão de uma epidemia ou de um desastre natural eram carregadas por navio ou pelo serviço postal montado (o Cursus publicus) e por isso demoravam certo tempo para chegar a Roma. A mesma quantidade de tempo era gasta para uma resposta ou reação. Devido a isso, as províncias eram administradas por governadores que comandavam de facto em nome da República Romana.

Logo após o estabelecimento do Império Romano, os territórios da República Romana haviam sido divididos entre os membros do Segundo Triunvirato, composto por AugustoMarco António e Macus Aemilius Lepidus.

Antonio recebeu todas as províncias do Leste, a AquéiaMacedônia, Epirus (praticamente a grécia moderna), BitíniaPontoÁsia (província romana) (praticamente a Turquia moderna), SíriaChipre e Cirenaica. Essa parte havia sido previamente conquistada por Alexandre, o Grande no IV século a.C. , e uma grande porção da aristocracia era formada por gregos e macedônios em origem. A maioria das dinastias reais eram de fato descendentes de seus generais. Essa região havia assimilado em um grau extenso a cultura grega, e o grego era a língua franca na maioria das grandes cidades.

Augusto, por outro lado, havia obtido as províncias romanas do oeste: Itália (província romana) (Itália morderna), Gália (França moderna), Gália Belga (partes da Bélgica, dos Países BaixosLuxemburgo) e Hispânia (Espanha e Portugal). Essa parte também possuía muitas colônias de origem grega e cartaginesa nas áreas da costa, mas a área havia sido culturalmente dominada pelas tribos célticas como os gauleses e os celtiberos.

Lépido ficou com a pequena província da África (moderna Tunísia) para governar. Após alguns desenvolvimentos políticos e militares, Augusto tomou a província Africana de Lépido e tomou posse da Sicilia (ilha de origens grega, moderna Sicília).

Após a derrota de Marco Antonio, o vitorioso Augusto tomou controle de todo o Império Romano a partir de Roma. Durante seu reinado, seu amigo Agripa temporariamente governou as províncias do leste como seu representante pessoal. Isso ocorreu novamente durante o reinado de Tibério que mandou seu herdeiro aparente Germânico para o leste.

O Império Romano apresentava muitas culturas diferentes, e todas elas eram sujeitas a um processo gradual de romanização. O grego também era falado no Ocidente da mesma forma que o Latim também era falado no Oriente. A cultura grega como um todo dificilmente era uma antagonista a cultura Latina, de fato ela contribuiu no processo de unificação cultural no Império Romano e ambas as culturas eram “parceiras” iguais no mundo Greco-Romano. Apesar disso, desenvolvimentos militares posteriores consolidados com as conseqüências políticas da divisão do Império Romano, e muito após com o Império Bizantino iriam reagrupar-se ao redor da cultura grega.

Rebeliões, levantes e consequências políticas
Em tempos de paz, era relativamente fácil governar o império de sua cidade capital, Roma. Uma eventual rebelião era sempre esperada e acontecia de tempos em tempos: uma tribo conquistada poderia rebelar-se, ou uma cidade conquistada iniciava uma revolta. Como as legiões eram espalhadas ao redor das fronteiras, o líder rebelde teria, em circunstâncias normais, uma ou duas legiões sob seu comando. Legiões leais ao império eram destacadas a partir de outros pontos do império e ,eventualmente, afogava-se a rebelião em sangue. Isso acontecia ainda com mais facilidade nos casos em que ocorria um pequeno e local levante nativo, já que os rebeldes normalmente não tinham grande experiência militar.

Durante tempos de guerra, entretanto, poderiam desenvolver-se rebeliões e levantes, como a massiva Grande Revolta Judaica,e a situação se tornava completa e perigosamente diferente. Em uma campanha militar total, as legiões, sob o comando de algum general como, por exemplo, Vespasiano eram muito mais numerosas. Logo, para se ter certeza da lealdade do comandante, um imperador sábio ou paranóico poderia tomar algum membro da família do general como refém. Nero, por exemplo, tomou como reféns Domiciano e Quintus Petillius Cerialis, governador de Óstia, respectivamente o filho mais novo e o cunhado de Vespasiano. O reinado de Nero somente chegou ao fim com a revolta da Guarda Pretoriana que havia sido subornada em nome de Galba. A Guarda Pretoriana era uma “espada de Dâmocles” figurativa, cuja lealdade fora comprada e tornou-se incrivelmente gananciosa. Seguindo seu exemplo, as legiões nas fronteiras também aumentaram sua participação nas guerras civis.

Os maiores inimigos no Ocidente, sem dúvida, eram as tribos germânicas atrás dos rios Reno e Danúbio. Augusto havia tentado conquistá-las, mas falhou – elas eram muito temidas. A Pártia, no Oriente, por outro lado, ficava longe demais para ser conquistada. Qualquer invasão pártia era confrontada e normalmente derrotada, mas a ameaça em si era basicamente impossível de ser destruída.

No caso de uma guerra civil romana esses dois inimigos aproveitavam a oportunidade para invadir território romano realizando incursões e saques. As duas respectivas fronteiras militares tinham grande importância política devido ao grande número de legiões lá estacionadas. Os generais locais frequentemente rebelavam-se e iniciavam guerras civis. Entretanto, controlar a fronteira Ocidental a partir de Roma era razoavelmente fácil devido à proximidade relativa. Porém controlar ambas as fronteiras ao mesmo tempo durante períodos de guerra era tarefa difícil. Se o imperador estivesse próximo da fronteira Oriental, as chances eram de que um general ambicioso se rebelaria no Ocidente e vice-versa. Imperadores ficavam cada vez mais próximos às tropas, para poderem controlá-las, e,naturalmente, nenhum imperador conseguia estar nas duas fronteiras ao mesmo tempo. Esse problema era uma praga para o reinado dos imperadores, e muitos dos futuros imperadores seguiram esse caminho ao poder.

Estagnação econômica no Ocidente
Roma e a península itálica começaram a experimentar uma redução econômica já que as indústrias e o dinheiro começaram a mover-se para fora dela. Pelo começo do século II d.C, a estagnação econômica da Itália foi vista na ascensão dos imperadores provinciais, como Trajano e Adriano. Os problemas econômicos aumentaram em força e freqüência.

Crise do terceiro século
Tendo início em 18 de março de 235, com o assassinato do Imperador Alexandre Severo, o Império Romano caiu em um período de 50 anos de guerra civil, conhecido atualmente como a Crise do terceiro século. A ascensão da dinastia guerreira dos Sassânidas na Pártia havia criado uma grande ameaça para Roma no Oriente. Como prova do perigo crescente, o Imperador Valeriano I foi capturado por  Shapur I em 259. Seu filho mais velho, e herdeiro aparente, Galiano, o sucedeu e estava lutando na fronteira Oriental. O filho de Galiano, Saloninus, e o Prefeito Pretoriano Silvanus, estavam residindo em Colonia Agrippina (moderna Colônia, na Alemanha) tentando manter a lealdade dos habitantes locais. Apesar disso, o governador das províncias germanânicas, Marcus Cassianius Latinius Postumus rebelou-se e tomou de assalto Colonia Agrippina, matando Saloninus e o prefeito. Na confusão que se seguiu um estado independente conhecido como Império das Gálias emergiu.

Sua capital era Augusta Treverorum (moderna Trier), e rapidamente expandiu seu controle sobre as províncias germânicas e gaulesas e por toda a Hispânia e Britannia. Tinha o seu próprio senado, e uma lista parcial de seus cônsules sobreviveu até hoje. Ele manteve a religião romana, língua, cultura e foi de longe muito mais preocupada com a luta contra as tribos germânicas que outros romanos. Entretanto, no reino de Cláudio II (268 a 270), grandes áreas do território do Império das Gálias retornaram ao comando romano.

Aproximadamente na mesma época, as províncias orientais sucederam, como o Império da Palmira, sobre o comando da Rainha Zenóbia.

Em 272, o Imperador Aureliano finalmente conseguiu subjugar Palmira e reclamar seus territórios para o império. Com o Oriente seguro, ele voltou sua atenção para o Ocidente e, no ano seguinte, o Império das Gálias também caiu. Devido a um acordo secreto em Aureliano e o Imperador das Gálias Tétrico I e seu filho Tétrico II, o exército das Gálias foi rapidamente derrotado. Em troca, Aureliano poupou suas vidas e concedeu aos antigos rebeldes posições importantes na Itália.

Tetrarquia
As fronteiras externas ficaram na maior parte do tempo em paz pelo restante da Crise do terceiro século, embora que entre a morte de Aureliano em 275 e a ascensão de Diocleciano dez anos depois, ao menos oito imperadores ou aspirantes a imperadores seriam mortos, muitos assassinados pelas próprias tropas.

No reinado de Diocleciano, a divisão política do Império Romano iniciou-se. Em 286, através da criação da Tetrarquia, a parte Ocidental foi concedida a Maximiano, que recebeu o título de Augustus e  Constâncio Cloro foi nomeado seu subordinado (Caesar) e também Galerius. Esse sistema efetivamente dividiu o império em quatro partes e criou capitais separadas, além de Roma, como uma forma de evitar agitação civil que havia marcado o terceiro século. No Ocidente, as capitais eram Milão, sob o controle de Maximiano, e Trier, sob controle de Constâncio. Em 1 de maio de 305, os dois Augusti seniores aposentaram-se e foram substituídos por seus respectivos Caesares.

Constantino
O sistema de tetrarquia rapidamente foi desfeito quando o Imperador do Ocidente Constantinus morreu inesperadamente em 306, e seu filho Constantino foi proclamado Augustus do Ocidente pelas legiões na Bretanha. Uma crise seguiu-se, já que vários reclamavam o reino da parte Ocidental. Em 308, o Augustus do Oriente, Galerius, arranjou uma conferência em Carnuntum (na atual Áustria), o que reviveu a tetrarquia dividindo o Ocidente entre Constantino e um novato chamado Licínio. Constantino estava muito mais interessado em reconquistar todo o império. Através de uma série de batalhas no Oriente e no Ocidente, Lícinio e Constantino estabilizaram suas respectivas partes do Império Romano em 314, e agora competiam pelo controle total do estado reunificado. Constantino emergiu vitorioso em 324 após a rendição e assassinato de Lícinio, em seguida àa Batalha de Crisópolis.

A tetrarquia estava morta, mas a idéia de dividir o Império Romano entre dois imperadores havia sido provada boa demais para ser simplesmente descartada e esquecida. Vários imperadores fortes iriam reunir o império em um único comando, mas com sua morte o Império Romano iria ser dividido de novo e de novo entre o Oriente e o Ocidente.

Segunda divisão
O Império Romano estava sobre o comando de um único Imperador, mas com a morte de Constantino em 337, uma guerra civil surgiu entre seus três filhos, dividindo o império em três partes. O Ocidente foi unificado em 340, e uma reunificação completa de todo o império ocorreu em 353, com Constâncio II.

Constâncio focou a maior parte de seu poder no leste, e é frequentemente considerado como o primeiro imperador do Império Bizantino. Durante seu reinado, a cidade de Bizâncio, somente recentemente renomeada de Constantinopla, foi desenvolvida como uma capital.

Em361, Constâncio II ficou muito doente e morreu, e o neto de Constâncio Cloro, Juliano, que havia servido como o César de Constâncio II, tomou o poder. Juliano morreu dando continuação a guerra de Constancio II contra a Pérsia em 363 e foi substituído por [Joviano]] que governou somente até 364.

Divisão Final
Seguindo a morte de Joviano, o império caiu em um novo período de guerra civil similar ao da Crise do terceiro século. Em 264 Valentiniano I ascendeu. Ele imediatamente dividiu o império mais uma vez, concedendo a parte Oriental ao seu irmão Valente. Estabilidade não foi mantida por muito tempo em nenhum dos lado já que conflitos com forças exteriores haviam se intesificado, especialmente com os Hunos e os Godos. Um problema sério no Ocidente foi a reação política causado pelo paganismo nativo contra os imperadores cristianizados. Em 379 o filho e sucessor de Valentiniano I, Graciano declinou o uso do manto de pontifex maximus, e em 382 ele reascendeu os direitos dos sacerdotes pagãos e removeu o altar pagão da Cúria Romana, e deu o titulo de Pontifex Maximus para o Papa.

Em 388, um poderoso e popular general chamado Magnus Maximus tomou o poder no Ocidente e forçou o filho de Graciano, Valentiniano II a fugir paro o Oriente e pedir ajudo ao Imperador Oriental Teodósio I que rapidamente o restaurou no poder. Ele também foi responsável pelo banimento do paganismo nativo que seria implementado no Ocidente em 391, reforçando o cristianismo.

Em 392 os francos e o Magister militum pagão Flavius Arbogastes assassinaram Valentiniano II, e um Senador chamado Flavius Eugenius foi proclamado imperador até ser derrotado em 394 por Teodósio I, que, tendo governado tanto o Oriente quanto o Ocidente por um ano, morreu em 395. Essa foi a ultima vez que um único governante controlou ambas as partes do Império Romano.

Um curto período de estabilidade sobre o reino do Imperador Flávio Augusto Honório (controlado por Estilicão) terminou com a morte de Estilicão em 408. Depois disso, os dois impérios realmente divergiram, e enquanto o Oriente começava uma lenta recuperação e consolidação, o Ocidente começava a colapsar completamente.

Fatores econômicos
Enquanto o Ocidente estava experimentando um declínio econômico através do impero tardio, o Oriente não estava tão economicamente decadente, especialmente porque Imperadores como Constantino I e Constâncio II investiram vastas somas de dinheiro na economia Oriental. O declínio econômico do Ocidente ajudou no eventual colapso dessa área do império. Sem impostos suficientes, o estado não conseguia manter um caro exército profissional e foi forçado a contratar mercenários.

Enquanto o poder enfraquecia, o Estado também perdeu controle das fronteiras e províncias e o vital controle do Mar Mediterrâneo. Imperadores Romanos tentaram manter forças exteriores fora do controle do mar, mas uma vez que os Vândalos conquistaram a África do Norte, as autoridades imperiais tinham que cobrir muito território com escassos recursos. As Instituições Romanas entraram em colapso junto com a estabilidade econômica. A maioria dos invasores exigia um terço das terras que eles conquistavam dos romanos subjugados, e o confisco se tornava ainda maior, já que tribos diferentes conquistavam as mesmas províncias.

Dezenas de quilômetros quadrados de terra cuidadosamente desenvolvida foram abandonadas devido à falta de viabilidade econômica e estabilidade política. E já que a maior parte da economia da Antiguidade Clássica era baseada na agricultura, a perda de terras cultivadas foi um golpe econômico devastador no império. Isso ocorreu devido ao fato de que a maioria das terras de plantio requeria certo nível de investimento de tempo e dinheiro na simples manutenção para manter a produção, o que na situação presente era inviável. Infelizmente, isso significava que qualquer tentativa da recuperação do Ocidente por parte do Oriente era muito difícil, e o grande declínio na economia local tornava essas novas reconquistas muitos caras para serem mantidas.

A conquista de Roma e a queda do Império Romano do Ocidente
Com a morte de Estilicão em 408, Honório foi deixado no comando, e embora ele tenha governado até sua morte em 423, seu governo foi marcado por usurpações e invasões, especialmente de Vândalos e Visigodos. Em 410, Roma foi saqueada por forças exteriores pela primeira vez desde a invasão gaulesa no século IV. A instabilidade causada por usurpadores no Império Ocidental ajudou essas tribos em suas conquistas, e no século V, as tribos germânicas tornaram-se os usurpadores. Em 475, Flavius Orestes, um antigo secretário de Átila o Huno forçou a retirada do Imperador Júlio Nepos de Ravenna e proclamou seu próprio filho Rômulo Augústulo como imperador.

Em 476, Orestes recusou-se a conceder aos Hérulos, liderados por Odoacro, o status de foederati. Odoacro então saqueou Roma e mandou a insígnia imperial para Constantinopla, se instalando como rei sobre a Itália. Embora alguns pontos isolados do governo romano continuassem até depois de 476, a cidade de Roma em si estava sobre o comando dos bárbaros, e o controle de Roma sobre o Ocidente havia efetivamente acabado. Os pontos remanescentes foram conquistados em uma década.

O último Imperador
A convenção histórica determinou que o Império Romano do Ocidente acabou em 4 de setembro de 476, quando Odoacro depôs Rômulo Augústulo. Entretanto, na prática esse assunto ainda é uma questão em debate.

 Júlio Nepos reivindicava para si o titulo de Imperador Romano do Ocidente, governando a província da Dalmácia (que se considerava um remanescente do Império Romano do Ocidente), e foi reconhecido como tal pelo imperador Bizantino Zenão I e por Siágrio, que havia conseguido manter um enclave romano no norte da Gália, conhecido atualmente como Domínio de Soissons. Odoacro se auto-proclamou governante da Itália e começou a negociar com Zenão. O imperador bizantino eventualmente concedeu a Odoacro status de patrício como uma forma de reconhecimento de sua autoridade e aceitou ele como seu próprio vice-rei na Itália. Zenão entretando insistiu que Odoacro prestasse honras a Nepos como imperador ocidental. Odoacro aceitou as condições e até emitiu moedas com o nome de Nepos através da Itália. Isso foi, porém, somente um gesto político vazio já que Odoacro nunca devolveu a Júlio Nepos qualquer poder político ou qualquer território. Nepos subsequentemente foi morto em 480 e Odoacro rapidamente invadiu e conquistou a Dalmácia.

Com Odoacro, iniciou-se a longa série de reis bárbaros de Roma.

Teodorico
A última esperança de reunir o Império veio em 493, quando Odoacro foi substituído pelo Ostrogodo Teodorico o Grande. Teodorico havia sido recrutado pelo imperador bizantino Zenão I para reconquistar a parte ocidental do Império, especialmente Roma. Ele era de jure um subordinado, um vice-rei do imperador do Oriente. Mas de facto, Teodorico agia como um soberano independente.

Seguindo a morte de Teodorico em 526, o Ocidente não se parecia mais com o Oriente. O Ocidente era agora totalmente controlado por tribos invasoras, enquanto o Oriente havia recuado e se helenizado. Apesar das tentativas do Oriente de tentar recapturar o Ocidente, ele nunca retomou os antigos aspectos do Império Romano.

Reconquista Bizantina
Através da Idade Média, o Império Bizantino reivindicava áreas do Ocidente que haviam sido ocupadas por várias tribos. No século VI, o Império Bizantino conseguiu reconquistar vastas áreas do antigo Império Romano do Ocidente. As campanhas de maior êxito foram as dos generais Belisário e Narses em nome do Imperador Justiniano I de 533 a 554. O antigo território Romano ocupado pelos Vândalos no Norte da África foi retomado, particularmente o território ao redor da cidade de Cartago. A campanha eventualmente avançou para a Itália a reconquistando completamente. Territórios menores foram retomados, como a costa sul da Península Ibérica.

Poderia parecer que, naquela época, a reconstituição da antiga Roma fosse algo possível. Entretanto, as influências tribais já haviam causado muitos danos às províncias Romanas, tanto economicamente quanto culturalmente. Além de que essas reconquistas eram muito caras para serem mantidas, a invasão e propagação das tribos germânicas através desses territórios significava que muito da cultura e identidade Romana que haviam mantido o império unido haviam sido destruídas ou severamente danificadas.

Embora alguns imperadores orientais ocasionalmente tentassem reconquistar alguma parte do Ocidente, nenhum deles teve mais êxito que Justiniano. A divisão entre as duas áreas cresceu, resultando em uma crescente rivalidade. Enquanto o Império Romano do Oriente continuou após Justiniano, os imperadores orientais focaram-se principalmente em defender seus territórios tradicionais. O Oriente não mais tendo a força militar necessária, acabou com as esperanças de qualquer reunificação.

Legado
Enquanto o Império Romano do Ocidente ruía, os novos governantes germânicos que haviam conquistado as províncias sentiram a necessidade de manter muita das leis e tradições Romanas que eles achavam apropriadas. Muitas das tribos germânicas já eram cristianizadas, mas a maioria delas era seguidora do Arianismo. Eles rapidamente converteram-se a fé Católica, ganhando mais lealdade da população romanizada local e ao mesmo tempo reconhecimento e apoio da poderosa Igreja Católica Romana. Embora inicialmente as tribos continuassem a reconhecer suas leis nativas, elas foram fortemente influenciadas pelo Direito Romano e gradualmente o incorporaram também.

O Direito Romano, particularmente o Corpus Juris Civilis coletado por ordem de Justianiano I, é a base antiga no qual o Direito Civil moderno se apóia. Em contraste, a Common law (lei comum) é baseada na Lei germânica anglo-saxão.

Latim como uma língua nunca realmente desapareceu. Combinou-se com línguas vizinhas Célticas e Germânicas, dando origem a muitas das línguas românicas como: ItalianoFrancêsEspanholRomenoRomanche e influenciou muitas Línguas germânicas como o InglêsAlemãoHolandês e muitas outras até certa extensão. Ela sobrevive na sua forma mais "pura" como a língua da Igreja Católica Romana (a Missa era falada exclusivamente em Latim até 1965) e foi usada como lingua franca entre muitas nações. Permaneceu como a língua da medicina, direito, diplomacia (muitos tratados eram escritos em latim) e dos intelectuais e acadêmicos.

Alfabeto latino foi expandido com as letras J, K, W e Z e é o sistema de escrita alfabética mais utilizada no mundo contemporâneo. Os Numerais romanos continuam a serem usados, mas foram majoritariamente substituídos pelos Algarismos arábicos.

A idéia de um Império Romano como um majestoso Império Cristão com um único governante continuou a seduzir muitos governantes poderosos. Carlos Magno, Rei dos Francos e dos Lombardos, até foi coroado como Imperador Romano pelo Papa Leão III em 800. Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico como Frederico I da GermâniaFrederico II da Germânia e Carlos I de Espanha, e Sultões como Solimão, o Magnífico do Império Otomano, entre outros, tentaram até certo grau restaura-lo, mas nenhuma de suas tentativas obteve êxitos.

Um visível legado do Império Romano do Ocidente é a Igreja Católica Romana. A Igreja vagarosamente começou a substituir as instituições romanas no Ocidente, até ajudando na segurança de Roma no final do século V. Quando Roma foi invadida pelas tribos Germânicas, muitos assimilaram o cristianismo, e no meio do período medieval (século IX e século X), as partes central, norte e ocidental da Europa já haviam largamente aceitado a fé Católica Romana e confessaram o Papa como o Vigário de Cristo.

Lista de Imperadores Romanos Ocidentais
Imperadores das Gálias (259 a 273)
  • Marco Cassiano Latínio Póstumo: (260 - 268)
  • Úlpio Cornélio Leliano: (269) (usurpador)
  • Marco Aurélio Mário: (269)
  • Marco Pianónio Vitorino: (269 - 271)
  • Domiciano: (270 - 271) (usurpador)
  • Caio Pio Esúvio Tétrico, Tétrico I: (271 - 274)
  • Tétrico II:, filho de Tétrico I e co-imperador (274 - 274)

Tetrarquia
Augustos são mostrados com seus Caesars e regentes hierarquizados nos índices

  • Maximiano: (293 - 305)
  • Constâncio Cloro: (305 - 306)
    • Flávio Valério Severo: (305 - 306)
  • Flávio Valério Severo: (306 - 307)
  • Magêncio/Maximiano: (307 - 308)
  • Lícinio I: (308 - 313)
  • Magêncio: (308 - 312 (usurpador)
  • Domício Alexandre: (308 - 309)

Dinastia Constantiniana (313 a 363)
  • Constantino I: (313 - 337). Imperador soberano de todo o Império (324 - 337)
  • Constantino II: (337 - 350). Imperador da Gália, Bretanha e Hispania.
  • Constante I (337 - 350) inicialmente imperador da Itália e da África; imperador do ocidente (324 -350 )
  • Magnêncio: (350 - 353) (usurpador)
  • Constâncio II: (353 - 361) Imperador soberano
  • Juliano: (361 - 363)

Sem dinastia (363 a 364)

Dinastia Valentiniana (364 a 392)

Sem dinastia (392 a 394)
  • Eugénio: (392 - 394)

Dinastia Teodosiana

Sem dinastia
  • Petrónio Máximo: 455
  • Avito: (456 - 457)
    • Ricimer: (456 - 472) Poder atrás do trono
  • Majoriano: (457 - 461)
  • Líbio Severo: (461 - 465)
  • Antémio: (467 - 472)
  • Olíbrio: (472)
  • Glicério]]: (473 - 474)
  • Júlio Nepos - (474 - 475/480)
  • Rômulo Augustolo, 'último' imperador do Império do Ocidente: (475 - 476)
    • Flávio Oreste: (475 - 476) Poder por trás do trono

Flávio Oreste foi morto por mercenários germânicos rebeldes. Seu líder, Odoacro, assumiu o controle da Itália como o representante de jure de Júlio Nepos e do Imperador Romano Oriental Zenão.

Ligações externas


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